Literatura

Roseira de lábios
Literatura

Roseira de lábios

Alexandre Lucas* A mão de vó sobre minha cabeça fazia benzeduras, o jeito que tinha para demonstrar que gostava do neto. Era uma tortura, respirava fundo para sair daquele momento. Gostava de vó e da sua paciência. Vó, se foi. Gosto de outras mãos, aquelas que não benzem, mas guiam minha cabeça para nadar a língua, mergulhar levemente entre vales e erupções, rodopiar de coração acelerado e sentir a saliva do prazer florindo. Esqueço do tempo. Tua mão-guia faz com que escreva estações. A noite é curta. Liberto-me com tua mão presa, minha cabeça afundada, tuas pernas procurando caminhar sem destino sobre o colchão. O céu parece que está mais próximo. A boca descansa nos teus terremotos. No fogo misturo: Malva, eucalipto, cebola branca e açúcar, mexo, remexo, até virar ...
Por mais livros…
Literatura

Por mais livros…

Luciana Bessa* Não se pode falar em Educação, sem falar no Livro Infantil, essa importante ferramenta capaz de despertar paixões e consciências, já que ontem, 18 de abril, foi o dia reservado para comemorá-lo, visto que nessa mesma data, no ano de 1882, nascia o escritor paulista, Monteiro Lobato, pioneiro da Literatura Infantil Brasileira. Monteiro Lobato foi o criador da boneca Emília, que na minha infância, eu desejava ser como ela. Emília é aquela que se sente desafiada pelas pedras no meio do caminho e as enfrenta. Emília foi feita por Tia Anastácia, outra emblemática personagem lobatiana, para ser dada a Narizinho, menina que adorava comer jabuticaba do pé e inventar reinações. Em 1931, nasceria a obra Reinações de Narizinho.  Emília se tornará a melhor amiga de Nari...
Amor, não gosto de você
Literatura

Amor, não gosto de você

Francisco Joherbete* O amor é a vidaTambém é a dorPois a vida é sofridaNem posso amar com tanta dorNão sei o que é amor,e nem quero saberPois um dia me mostraram o que é sofrerMe disseram palavras bonitas ações encantadoras e formosasMas não passava de dores caprichosasÉ bom saber a realidade de viverAmor é algo que não posso sofrerBom, digo a vocês o que é amorÉ sofrer, amar e chorar. Sobre o autor: Francisco Joherbete *Aluno do 8° ano do Colégio Municipal Pedro Felício Cavalcanti. Gosta de ler poesias e de fazer também. "Abrace sua tristeza".
Paredão na Expocrato: um muro neoliberal do Estado
Literatura

Paredão na Expocrato: um muro neoliberal do Estado

Alexandre Lucas* A programação da Expocrato é um retrato da indústria restritiva da cultura de massa e da ausência do Estado enquanto fomentador da democratização da diversidade e pluralidade estética e musical do país, em especial do Nordeste e do Cariri. A cada ano, o evento contraria o Plano Estadual de Cultura do Ceará, que institui o marco legal, Lei nº 16.026 de 1º de junho de 2016, que em tese deve nortear a política de Estado para cultura, na transversalidade da gestão governamental. Desvincular o Plano Estadual de Cultura dos eventos promovidos pelo Governo do Estado é atentar contra as diretrizes e o planejamento público em que envolve participação social. É prevaricar. A Expocrato deve ser percebida como instrumento estratégico para o desenvolvimento econômico e socia...
Em busca de estudantes protagonistas!
Literatura

Em busca de estudantes protagonistas!

Luciana Bessa* Na década de 80, quando ingressei no espaço escolar, deparei-me com um ambiente marcado pela hierarquização: professor, manda; estudante, obedece. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas a educação permanece piramidal. Ainda não conhecia Paulo freire, Patrono da Educação Brasileira, mas já me sentia um receptáculo de informações jogadas pelos professores. O pior de tudo é que me sentia culpada por não conseguir absorver o que supostamente me ensinavam. Imaginava se os(as) outros (as) estudantes se sentiam perdidas como eu, ou se conseguiam “guardar” todo aquele conhecimento distribuído em sala de aula. Como sempre fui fantasiosa, deseja cadeiras em círculos para que pudéssemos ver uns aos outros e, o mais importante: cada um de nós dando sua opinião sobre o li...
Desnecessidade necessária
Literatura

Desnecessidade necessária

Alexandre Lucas* Olhamos os livros, as plantas. Sentamos. Pedimos suco, abacaxi com hortelã, outro de cajá e uma tapioca com frango. Conversamos sobre comida e detalhes esquecidos. Uma moça, branca, gorda, simpática e com menos de 20 anos, chega com um papel na mão como se quisesse anunciar uma venda. Surpresa, ela entrega   um desenho e diz: achei você tão bonita que resolvi te desenhar.  Saiu rapidamente, sem espaço para agradecimentos.  Ficamos apreciando a delicadeza e o quanto a desnecessidade é necessária.  A massa de modelar e algumas tintas estavam guardadas num saco para embrulhar presentes, de algum presente que ganhei, acho que de minha mãe. Era desnecessário, mas  como o desenho, também necessário. Chegamos. Breve parada na escada, alguns beijo...
Quase acordo os chineses
Literatura

Quase acordo os chineses

Alexandre Lucas* A cama guarda o cheiro das tuas flores. A taça de vinho continua em cima do baú que nos resistiu, ainda restam três dedos de vinho seco. Despejei um dedo para te escrever. As lembranças vão caindo, como tua roupa justa. Teu corpo nu espalhado sobre o meu. Belchior cantando baixinho, nós, tocando outras canções.  Você estava molhada de palavras. Escrevia com o dedo médio tuas contorções. Tua boca de puras verdades professava vontades. Procurava a nervura teus lábios para compor os teus gemidos.  As luzes acesas. Os beijos mordidos desligando os pudores. O cuidado para abanar os sonhos e amaciar a carne.    No banho, deslizo nas tuas costas:  cheiro e massagem. Entro entre tuas pétalas e toco as estrelas, aperto seus seios e qu...
Amores urgentes
Literatura

Amores urgentes

Alexandre Lucas* Segunda-feira. O amor se envenenou de urgências, já não sabe se recorre para o desaparecimento ou para a “Quadrilha”, de Drummond. O amor é urgente, cansa, despedaça, coloca a paciência no precipício, convoca o calafrio para esbarrar entre as borboletas, atiça brilho nos olhos e o derrame do mar.  O amor é invocado mesmo. Invocado por aqui, é tipo mistério e esperteza, tudo junto.  Frida e Neruda foram de confusões e de amores vastos, como a vastidão dos grãos de areia e os conflitos entre céu e terra.    Vejo o amor passando na tela, até dar vontade de guardar na estante da sala, mas o amor é vivo, impulsivo, não tem grades, mesmo quando é enjaulado. Ele escapa pelos pensamentos e sai meio tonto e como avoante, voa!  Estou de saíd...
O resultado não me define
Literatura

O resultado não me define

Alexandre Lucas* Três de abril de dois e vinte e quatro. Tarde de calor. Encontre-me mais uma vez com ela como faço semanalmente, todas às quartas-feiras. Não tomamos nenhum café, nadinha. Sento no sofá, normalmente com a mão na cabeça como se fizesse um auto cafuné, enquanto isso vou fuxicando da minha vida. Nesta quarta-feira, estava na expectativa da resposta dela, era previsível, mesmo assim, precisava escutar suas palavras, sua afirmação. A resposta veio. Solto um leve sorriso, de como quem diz eu já sabia. Ela me perguntou como estava me sentindo, de imediato, digo: "Estou feliz" e completo com um choro engasgado. Vou tentando debulhar o que o choro não era capaz de dizer. Ela me escutava mexendo os lábios com os dedos, possivelmente nem tenha percebido. Já não consigo me con...
Abril, muito há o que celebrar
Literatura

Abril, muito há o que celebrar

Luciana Bessa* Quarto mês do ano, Abril traz em si muitos momentos celebrativos. Já iniciamos com o Dia da Mentira, no primeiro instante do mês. Em Minas Gerais, circulou um periódico de vida efêmera chamado “A Mentira”, lançado no dia primeiro de abril de 1828, noticiando o falecimento de Dom Pedro, fato que foi desmentido no dia seguinte.  “A Mentira” deixou de circular no dia 14 de setembro de 1949, sem antes noticiar aos credores brasileiros, que no dia 01 de abril de 1850, eles poderiam negociar suas dívidas, sem explicar como e dando como referência um lugar inexistente. Já o 13 de abril é para comemorar o Hino Nacional Brasileiro, pois nessa exata data, no ano de 1831, ele foi tocado pela primeira vez, no Teatro São Pedro de Alcântara, na então capital do Império. Mais...